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Eu notava mais esse desconcerto. Ele sentia-se acima de todas as conjunturas da vida. Opinava drasticamente. Lembro-me de um fato importante para mim naquela época. Um dia um amigo nosso, poeta extraordinário, vendo-me e sabendo que eu não tinha convivência de amigas, conhecendo a minha vida entre alucinados, sem distrações normais, perguntou ao meu marido se ele não receava que eu, uma mulher tão jovem, vivendo unicamente entre homens, viesse a ter preferência por um de seus amigos. Recebeu como resposta: ‘A minha mulher é como a minha mão. No dia em que ela gangrenar, eu a decepo e continuo a viver com o resto do corpo.’ Sim, eu não passava de um detalhe que não fazia falta ao todo. Mal sabia ele que o meu mundo era grandioso, o meu mundo estava na sua vida e na sua alma separado por um silêncio que ele mesmo provocara.
— ADALGISA NERY