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Para ela, vá lá entender a alma humana, o facto de não ver as paredes do cárcere, as próximas e as distantes, era o mesmo que se elas tivessem deixado de estar ali, era como se o espaço se tivesse alargado, livre, até ao infinito, como se as pedras não fossem mais do que o mineral inerte de que são feitas, como se a água fosse simplesmente a razão da lama, como se o sangue corresse só dentro das suas veias, e não fora delas.
— JOSÉ SARAMAGO