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Sem dúvida, não justificaríamos moralmente o comportamento de alguém que enviou um colega para uma situação perigosa dizendo: "Eu o enviei para lá porque sei que ele é forte e vai conseguir se virar". As "forças" do recém-nascido não aliviam em nada a responsabilidade moral do procriador. Qualquer um responderia: “Isso é irrelevante. Seu papel na questão consistia em enviar as pessoas para uma situação em que você sabia que era difícil e dolorosa, e você poderia evitá-lo. Suas previsões sobre suas maneiras de reagir não diminuem em nada sua responsabilidade”. No caso da procriação, o raciocínio poderia ser o mesmo, e de maneira notória e enfática, já que em qualquer situação intra-mundana com pessoas já existentes em que enviamos alguém para uma situação conhecida como dolorosa, o outro poderia sempre fugir da dor na medida em que seu ser já está no mundo e ele poderia prever o perigo e tentar evitar ser exposto a uma ação desconsiderada e manipuladora. No caso de quem vai nascer, pelo contrário, isso não é possível porque é precisamente o seu próprio ser que está sendo fabricado e usado. Com relação ao nascimento, portanto, a manipulação parece ser total. — JULIO CABRERA
JC
Julio Cabrera
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