“
Wittgenstein é um filósofo suficientemente rico (ou suficientemente vago e impreciso) a ponto de sobre ele recaírem múltiplas interpretações. Interpretações analíticas, hermenêutico-transcendentais, fenomenológicas e marxiano-dialéticas da filosofia de Wittgenstein são examinadas (...) como recurso expositivo para melhor caracterizar diversos tipos e estilos de filosofias da linguagem do século XX. O assumido pluralismo (...) faz que se considerem todas essas interpretações como viáveis, de maneira que nenhuma delas descarte as outras como “falsas”, pretendendo ter apresentado “o verdadeiro Wittgenstein”. Isto supõe uma concepção do que seja filosofia e uma maneira de produzi-la e desenvolvê-la. Em cada uma das interpretações acentuam-se aspectos diferentes de um mesmo pensamento, como num experimento de Gestalt.
— JULIO CABRERA