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O pessimismo parece ter uma densidade existencial que o otimismo – mesmo o otimismo não ingênuo – não possui. Na famosa Último tango em Paris (1972), de Bernardo Bertolucci, o desconhecido (Marlon Brando) cuja mulher acabou de se suicidar, deambula por Paris e encontra casualmente Jeanne (Maria Schneider), com quem tem uma relação rica e violenta, física e existencial, num apartamento sem mobília, onde não importam as convenções nem o nome de coisas ou pessoas (...) Mas no momento em que ele consegue sair da fossa e voltar a se integrar na vida, se vestir bem e retomar o exercício das convenções habituais, saber o nome dela, casar-se e ser feliz, transforma-se numa caricatura convencional e sua relação com Jeanne acaba abruptamente (...).
— JULIO CABRERA